O Capitalismo Como Religião - Col. Marxismo e Literatura
معرفی کتاب «O Capitalismo Como Religião - Col. Marxismo e Literatura» نوشتهٔ Benjamim, Walter; Lowy, Michael، منتشرشده توسط نشر Boitempo Editorial در سال 2015. این کتاب در فرمت mobi، زبان pt ارائه شده است.
Coletânea com textos inéditos de Walter Benjamin, organizado por Michael Löwy, um dos maiores especialistas no filósofo. A seleção de textos feita por Löwy para a coletânea obedece a um critério pouco evidente em uma primeira abordagem. Há ensaios que retomam o interesse do autor pelo romantismo e pelo drama barroco e outros que problematizam a religiosidade em “nosso tempo”. O título escolhido, “O capitalismo como religião”, no entanto, ilumina o sentido da melancolia benjaminiana: a sensação de que a ação política, assim como as outras dimensões da vida, estaria dominada pelo culto permanente da vida sob o capitalismo. Benjamin entendeu a melancolia como efeito da anulação da potência política do indivíduo e sua classe social. A “coloração religiosa” que o capitalismo imprimiu ao utilitarismo parece anular a perspectiva de transformação histórica. Daí a seleção de registros de experiências pré-capitalistas, assim como de textos que revelam o espanto de vários escritores diante da devastação em curso nos séculos 18 e 19: é no passado que Benjamin vai buscar indícios de diferença capazes de contradizer sua própria visão sombria do futuro. O livro conta com orelha de Maria Rita Kehl e quarta capa de Jeanne Marie Gagnebin, outras duas grandes especialistas em Benjamin. O capitalismo como religio, novo lanamento da Boitempo, apresenta um recorrido por ensaios do filsofo Walter Benjamin, organizado e introduzido pelo socilogo Michael Lwy. O livro traz textos surpreendentes, em particular os ditos de juventude, que vm tona com a liberao da obra benjaminiana para o domnio pblico. Lwy reuniu escritos de Benjamin inditos em portugus ou difceis de consultar, que contm, em graus variados, uma crtica radical da civilizao capitalista-industrial moderna. Segundo o organizador, Benjamin ocupa uma posio singular na histria do pensamento crtico moderno. o primeiro seguidor do materialismo histrico a romper radicalmente com a ideologia do progresso linear: Por sua crtica radical da civilizao burguesa moderna, por sua desconstruo da ideologia do progresso a Grande Narrativa dos tempos modernos, comum tanto aos liberais quanto aos socialistas , os escritos de Benjamin parecem um bloco errtico margem das principais correntes da cultura moderna.a Para esta antologia, Lwy escolheu textos que vo de 1912, quando Benjamin participa do movimento da Jugendbewegung, do qual se distancia no incio da Primeira Guerra Mundial, at os anos mais decididamente militantes, no exlio, de 1933 a 1940. Segundo ele, trata-se de mostrar como Benjamin soube unir, na sua rejeio contundente ao capitalismo, impulsos oriundos tanto do romantismo alemo quanto do messianismo judaico e do marxismo libertrio. A maior parte desses escritos, que versam sobre temas que vo das armas qumicas das guerras futuras condio dos operrios na Alemanha nazista, expressa um olhar lcido, ora irnico ora trgico sobre o mundo civilizado do sculo XX, afirma no prefcio. Entre os textos at ento esquecidos e agora disponveis ao pblico brasileiro, vale ressaltar o ensaio que d ttulo ao livro, O capitalismo como religio, um dos fragmentos mais intrigantes de Benjamin, escrito em 1921. Apesar de contar com apenas cinco pginas, incluindo notas e referncias bibliogrficas, esse texto revela como o capitalismo se tornou uma religio cultual, sem piedade ou trgua, que leva a humanidade para a casa do desespero. Nesse ensaio, Benjamin assimila num gesto ousado as reflexes de Friedrich Nietzsche, Max Weber, Georg Simmel e do terico anarquista Gustav Landauer. Nota Lwy que, no s nos documentos includos neste livro, mas no conjunto da obra de Benjamin, a crtica romntica da Zivilisation capitalista est onipresente; como uma corrente eltrica, ela atravessa seus escritos e alimenta algumas de suas principais iluminaes profanas. Para Maria Rita Kehl, autora da orelha do livro, o ensaio-ttulo ilumina o sentido da melancolia benjaminiana: a sensao de que a ao poltica, assim como as outras dimenses da vida, estaria dominada pelo culto permanente da vida sob o capitalismo. Benjamin entendeu a melancolia como efeito da anulao da potncia poltica do indivduo e sua classe social. A colorao religiosa que o capitalismo imprimiu ao utilitarismo parece anular a perspectiva de transformao histrica. Da a seleo de registros de experincias pr-capitalistas, assim como de textos que revelam o espanto de vrios escritores diante da devastao em curso nos sculos XVIII e XIX: no passado que Benjamin vai buscar indcios de diferena capazes de contradizer sua prpria viso sombria do futuro, afirma a psicanalista. Segundo Jeanne Marie Gagnebin, autora da quarta capa, tambm deve ser mencionada a importncia dos escritos ligados redao da tese de livre-docncia sobre a Origem do drama barroco alemo assim como de vrias resenhas de Benjamin, que tentam questionar o presente por uma retomada crtica da tradio histrica e literria. J o artigo sobre o Instituto Alemo de Livre Pesquisa, escrito em 1937, esclarece a diferena entre a teoria crtica e o pragmatismo em voga nos Estados Unidos, onde Theodor Adorno e Max Horkheimer encontravam-se exilados. A obra se insere na coleo Marxismo e Literatura, sob a coordenao de Leandro Konder e do prprio Lwy; a traduo dos dezessete ensaios de Benjamin selecionados foi feita diretamente do alemo por Nlio Schneider. O livro conta com um extenso ndice onomstico e notas de traduo e edio, que auxiliam na compreenso do pensamento benjaminiano, que combina referncias literrias e filosficas, fazendo associaes inesperadas, de maneira fragmentria. Na coletnea, foram ainda includas vrias imagens, como reprodues de documentos, quadros e fotografias. Sobre o autor Walter Benjamin, filsofo e crtico literrio, nasceu em Berlim em 1892 e se suicidou em 1940, na fronteira da Frana com a Espanha, durante uma tentativa de fuga dos nazistas. A rejeio de sua tese de habilitao, A origem do drama barroco alemo, o impediu de exercer a docncia universitria na Alemanha. A partir de 1924 descobriu o marxismo, atravs da obra de Lukcs, e se tornou simpatizante do movimento comunista. Foi associado Escola de Frankfurt, o Instituto de Pesquisa Social da Universidade de Frankfurt, criado em 1923, e seus principais escritos versam sobre o materialismo histrico, a esttica e a arte, o idealismo alemo e, de maneira geral, o marxismo ocidental. Em seus ensaios, combina referncias literrias e artsticas com filosofia e sociologia. Em 1933, com a tomada do poder dos nazistas, exilou-se na Frana. Foi amigo e correspondente de Theodor Adorno, Max Horkheimer, Gershom Scholem, Bertolt Brecht e Hannah Arendt. Seu ltimo escrito, as Teses Sobre o conceito de histria, de 1940, associa o materialismo histrico ao messianismo revolucionrio. Sua obra, de carter fragmentrio e ensastico, foi parcialmente publicada em coletneas no Brasil, incluindo Passagens (Imesp, 2006) e trs volumes de Obras escolhidas, pela Brasiliense: Magia e tcnica, arte e poltica (1985), Rua de mo nica (1987) e Charles Baudelaire, um lrico no auge do capitalismo (1989). Sobre o organizador Michael Lwy nasceu na cidade de So Paulo em 1938, filho de imigrantes judeus de Viena. Licenciou-se em Cincias Sociais na Universidade de So Paulo em 1960 e doutorou-se na Sorbonne, sob a orientao de Lucien Goldmann, em 1964. Vive em Paris desde 1969, onde trabalha como diretor de pesquisas no CNRS (Centre National de la Recherche Scientifique) e dirigiu um seminrio na cole des Hautes tudes en Sciences Sociales. Considerado um dos maiores pesquisadores das obras de Karl Marx, Leon Trotski, Rosa Luxemburgo, Gyrgy Lukcs, Lucien Goldmann e Walter Benjamin, tornou-se referncia terica para militantes revolucionrios de toda a Amrica Latina. Foi homenageado, em 1994, com a medalha de prata do CNRS em Cincias Sociais. autor de livros e artigos traduzidos em 25 lnguas, entre os quais Walter Benjamin: aviso de incndio (Boitempo, 2005) e Lucien Goldmann ou a dialtica da totalidade (Boitempo, 2009). tambm organizador do livro Revolues (Boitempo, 2009) que rene os principais registros fotogrficos dos processos revolucionrios do final do sculo XIX at a segunda metade do sculo XX. Sobre ele, a Boitempo publicou As utopias de Michael Lwy: reflexes de um marxista insubordinado (orgs. Ivana Jinkings e Joo Alexandre Peschanski, So Paulo, 2007). Trecho do prefcio O pensamento de Benjamin est profundamente enraizado na tradio romntica alem e na cultura judaica da Europa Central; ele corresponde a uma conjuntura histrica precisa, que aquela da poca das guerras e das revolues, entre 1914 e 1940. E, no entanto, os temas principais de sua reflexo so de uma surpreendente universalidade: nos do instrumentos para compreender realidades culturais, fenmenos histricos, movimentos sociais em outros contextos, outros perodos, outros continentes. No comeo do sculo XXI, em face de uma civilizao industrial-capitalista, cujos progresso, expanso e crescimento conduzem numa velocidade crescente a uma catstrofe ecolgica sem precedentes na histria da humanidade, esses instrumentos constituem um precioso arsenal de armas crticas e uma janela aberta para as paisagens-do-desejo da utopia. Para Benjamin, s uma revoluo podia interromper a marcha da sociedade burguesa rumo ao abismo, mas ele dava a respeito da revoluo uma definio nova: Marx havia dito que as revolues so a locomotiva da histria mundial. Mas talvez as coisas se apresentem de maneira completamente diferente. possvel que as revolues sejam o ato, pela humanidade que viaja nesse trem, de puxar os freios de emergncia. O capitalismo como religião apresenta um recorrido por ensaios do filósofo Walter Benjamin, organizado e introduzido pelo sociólogo Michael Löwy. O livro traz textos surpreendentes, em particular os ditos de juventude, que vêm à tona com a liberação da obra benjaminiana para o domínio público. Löwy reuniu escritos de Benjamin inéditos em português ou difíceis de consultar, que contêm, em graus variados, uma crítica radical da civilização capitalista-industrial moderna. Segundo o organizador, Benjamin ocupa uma posição singular na história do pensamento crítico moderno. É o primeiro seguidor do materialismo histórico a romper radicalmente com a ideologia do progresso linear:'Por sua crítica radical da civilização burguesa moderna, por sua desconstrução da ideologia do progresso - a Grande Narrativa dos tempos modernos, comum tanto aos liberais quanto aos socialistas -, os escritos de Benjamin parecem um bloco errático à margem das principais correntes da cultura moderna'.
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