قرون وسطی در سینما
A Idade Média no Cinema
معرفی کتاب «قرون وسطی در سینما» (با عنوان لاتین A Idade Média no Cinema) نوشتهٔ José Rivair Macedo; Lênia Marcia de Medeiros Mongelli، منتشرشده توسط نشر Ateliê Editorial : FAPESP در سال 2009. این کتاب در فرمت pdf، زبان pt ارائه شده است.
"A Idade Média era mesmo assim?" Pelo menos um em cada dez espectadores terá feito alguma vez esta pergunta acerca dos filmes históricos ambientados no Medievo, geralmente situados entre os séculos V e XV. A questão, legítima, põe em evidência os limites entre realidade e ficção ou entre História e fantasia – polaridades com implicações mútuas que se complementam e se esclarecem. Abordá-las é um dos intuitos dos ensaios aqui reunidos. A linguagem do cinema – como, de resto, a de qualquer objeto que milita no campo das Artes – é metafórica, é subjetiva porque dependente do ponto de vista de um Diretor; é imagética, o que significa escolha de ângulos, de luz, de locações etc., sempre no intuito de conduzir o espectador a uma determinada concepção de realidade, que pode ou não coincidir com a perspectiva do(s) autor(es), uma vez que a película é o que se pode chamar "obra aberta". Nesse contexto, de forte apelo emocional, por mais "fria" que seja a obra, como situar a "verdade" histórica, se é que ela, a tal "verdade", está integralmente em algum lugar? O perfil cinematográfico de Joana d’Arc esculpido por Dreyer corresponde à biografia da mocinha nascida em Donrémy, que tanto batalhou pela sagração de Carlos VII como rei de França? Que espécie de Cavalaria medieval resulta do retrato grotesco que Mario Monicelli resolveu apresentar em O Incrível Exército de Brancaleone? A angústia das dúvidas teológicas do cavaleiro-cruzado Antonius Block atormentou as almas no Medievo ou, preferencialmente, a alma de Ingmar Bergman? Como conciliar o “cômico”, sempre tão deformador, com a mitologia dos escandinavos, como buscou fazer Terry Jones em As Aventuras de Erik, o Viking? Sob questões como estas, que se põem a cada página deste livro, respostas possíveis devem começar pela velha questão da verossimilhança aristotélica: o filme histórico, ou qualquer outro, trabalha com impressões do real, que podem se aproximar mais ou menos das "verdades contextuais", dependendo da habilidade da equipe de produção e das intenções do Diretor. Portanto, a avaliação do espectador incidirá na coerência do conjunto, que é a dose de "realismo" necessário à "fantasia" da Idade Média no cinema. A Idade Mdia sempre rendeu bons temas para o cinema - tanto o de arte como o mais comercial. Cavaleiros, mitos, costumes, roupas, batalhas, espadas, escudos, enfim, uma srie de elementos aparecem na tela e criam, na olhar do espectador, uma sensao de realidade. Mas ter sido mesmo assim a Idade Mdia? Por que ser que o cinema encontrou nesse longo perodo histrico um motivo para os seus roteiros? Em A Idade Mdia no Cinema, recm-lanado pela Ateli Editorial, com organizao dos medievalistas Jos Rivair Macedo e Lnia Mrcia Mongelli, os grandes filmes sobre o Medievo so analisados por especialistas, em seis ensaios. O livro, idealizado a partir de curso de extenso universitria sobre o tema, ministrado inicialmente na USP em 2001, torna-se, de sada, uma referncia para os estudos em cinema e histria. O evento, que deu origem obra, passou por vrias instituies de ensino e pesquisa at 2004, atraindo pblico grande e interessado. Todos os estudos apresentados foram feitos por "profissionais do Medievo", como diz Lnia Mrcia Mongelli, professora do Departamento de Letras Clssicas e Vernculas da USP. Como ela mesma diz na apresentao do livro, "quaisquer que sejam os enfoques metodolgicos e analticos adotados nos seis ensaios abordando seis diferentes filmes, textos compostos segundo o gosto e as convices pessoais de cada autor, o tema das relaes entre Histria e fico uma constante". Essa preocupao permeia todos os ensaios. Em "Cinema e Idade Mdia: Perspectivas de Abordagem", Jos Rivair Macedo, professor de Histria da UFRGS, faz uma introduo ao tema, destacando a tradio cinematogrfica de retomar os temas do Medievo como motivo para os filmes. Como ele deixa claro, quando se analisa um filme histrico, "o que est em pauta a necessria articulao analtica entre este conjunto de elementos intrnsecos prpria expresso cinematogrfica e o contexto histrico e social que o produziu". Macedo comenta vrias obras e autores, buscando a relao entre histria e representao, tanto no cinema comercial, como no de autor. Para sua bela apresentao do assunto, ele parte de trs categorias de filmes propostas pelo estudioso Franois de la Bretecque: "Os 'filmes de historiadores', em que a fico pretende ilustrar um ponto de vista a respeito do passado com base num saber erudito; os 'filmes de personagens histricos', em que a poca enfocada a partir do protagonista do enredo; os 'filmes de aventura', em que a ao transcorre num passado distante e o contexto desempenha papel secundrio". Ele comenta importantes obras de Eisenstein, Bergman, Tarkovski e Pasolini, at desembocar no cinema de aventura hollywoodiano com sua paixo pelo ciclo arturiano, sempre rendendo alguma bilheteria polpuda e muito corre-corre em cena. J Yara Frateschi Vieira, professora de Literatura Portuguesa na Unicamp, analisa A Paixo de Joana d'Arc, de Carl Dreyer, que teve grande preocupao com a verdade histrica; Lnia Mrcia Mongelli aborda O Stimo Selo, um dos clssicos de Ingmar Bergman, considerado pelo diretor como "um poema moderno, apresentado com material medieval muito livremente manipulado"; j O Incrvel Exrcito de Brancaleone, de Mario Monicelli, mestre da "Comdia Italiana", interpretado por Giulia Crippa, professor de Cincia da Informao, na USP, a partir do contexto italiano em que o filme foi produzido, ou seja, no ps-guerra; Cybele Crossetti de Almeida, professora de Histria da UFRGS, mostra como o cinema se apropriou de prticas medievais da guerra num filme como Henrique V, de Kenneth Branagh, adaptado da obra homnima de Shakespeare; o "imaginrio viking" contemporneo, que entra tanto no cinema, como nas histrias em quadrinhos, o tema de Jos Rivair Macedo, no ensaio "Rindo da Mitologia Nrdica: O Sentido da Violncia em As Aventuras de Erik, o Viking"; o ltimo ensaio do livro, de Eduardo Henrik Aubert, doutorando em Histria Social na USP, trata do filme noruegus Kristin Lavransdatter, dirigido por Liv Ullmann.
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